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Transcrição da fala do Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente, Dr. Paulo Eduardo Costa

“Bom, queridos amigos, primeiro quero dar as boas-vindas a todos vocês. Eu sei que muita gente tem compromissos, mas é muito importante marcarmos essa data dos cinco anos, sobretudo pelas ações pontuais que sempre tivemos em relação a esta cidade.

O nosso Instituto Histórico existe desde 1838, portanto já está bem velhinho para comemorar aniversário agora. A verdade é que a gente acaba sempre comemorando a presença das pessoas.

Quando Dom Pedro II decidiu criar os Institutos Históricos, muita gente confunde o significado disso. Acham que ‘histórico’ é apenas preservar coisas antigas, ouvir histórias do passado, e que ‘geográfico’ se resume a estudos de mapas e territórios. Mas não é só isso.

Muito recentemente, por exemplo, a nossa área geográfica identificou uma epífita — uma planta alienígena vinda da China — que está contaminando o nosso manguezal. Se não tomarmos providências ambientais, vamos perder o ecossistema. As aves, os peixes e todas as espécies que se reproduzem nessa área deixarão de existir ali. Isso também é trabalho do Instituto Histórico e Geográfico.

Dom Pedro II não pensou apenas no passado. Nós temos aqui o Museu Histórico Geral da Cidade, uma biblioteca com 57 mil volumes, muitos deles raríssimos. Na minha própria sala há um livro de 1700 que restauramos recentemente — um material que não se encontra em qualquer lugar.

Sem falsa modéstia, somos o maior museu cultural da região. Não há discussão quanto a isso. Museus setoriais, como o Museu de Arte Sacra ou o Museu Pelé, têm recortes específicos. Nós não. Temos documentos dos séculos XVI, XVII e XVIII, móveis antigos, obras de arte, livros e quadros raríssimos.

Recentemente, a TV Cultura e a TV Alesp estiveram aqui, ao vivo, por mais de uma hora, falando muito bem de São Vicente. Uma das grandes surpresas foram nossos quadros, alguns raros, de artistas como Benedito Calixto, Dona Mocinha, Dona Gertrudes e o capitão Horneaux de Moura — que, inclusive, dá nome a uma avenida da cidade.

Temos um legado gigantesco e buscamos honrar aquilo que Dom Pedro II nos determinou: a criação de uma identidade regional. O papel do Instituto Histórico não é apenas guardar a memória, como a belíssima história da FEB que temos aqui, sob a curadoria da Fernandes, nem somente preservar documentos raríssimos. É também fazer história e construir identidade.

Recentemente, em reunião com a diretoria, percebemos algo simbólico: São Vicente não tem um prato típico. Isso também é identidade. Vamos lançar um concurso para criar o prato típico da cidade. Você fala de Santos e lembra da meca santista; fala de São Vicente e não lembra de nada. E São Vicente teve pessoas extraordinárias.

Aqui nasceu Frei Gaspar da Madre de Deus, o primeiro historiador brasileiro, na Fazenda Santana do Acaraú. Aqui nasceu Ivani Ribeiro, grande dramaturga, autora de ‘Mulheres de Areia’, exibida diversas vezes na televisão. Tivemos Cleide Yácones, grande dama do teatro; Darcy Penteado; Sônia Vesaque; Benedito Calixto — que nasceu em Itanhaém, viveu em São Paulo, Santos, Paris, mas passou a maior parte da vida em São Vicente. E, muitas vezes, esquecemos disso.

Dentro desse propósito de criar identidade regional, percebemos também que nossa diretoria estava envelhecida. Cargos filantrópicos, sem remuneração, acabam atraindo apenas pessoas mais velhas. E entendemos que precisávamos trazer a juventude para cá.

Foi então que começamos a receber jovens empreendedores, que fazem campanhas de arrecadação de fraldas para idosos, alimentos para quem precisa, campanhas de vacinação, doação de livros. Lembro muito bem quando levamos 20 mil livros didáticos para a comunidade da Vila da Ponte, logo após uma grande enchente. As pessoas choravam de emoção, porque não tinham condições de comprar um livro. Aquilo que para nós não servia mais, para eles era um tesouro.

Hoje temos muito orgulho dessa biblioteca com 57 mil volumes. Não existe outra igual. E esta velha casa, de 1890, está muito bem conservada para a idade que tem. Temos orgulho de ser uma instituição que atua aqui desde 1959.

É uma honra ter vocês hoje aqui. Uma honra comemorar os cinco anos da Confraria Jovem. Uma honra contar com esse jovem, Elias Ferreira [Diretor da Confraria Jovem], tão guerreiro, competente e destacado, que lidera essa Confraria e já fez tanto em tão pouco tempo.

Muitos de vocês serão homenageados hoje pelo carinho dedicado a esta casa e à juventude. Chefe Sérgio, Chefe Maria, vocês são exemplos para todos nós. Somos vizinhos, amigos e admiradores do trabalho que realizam mantendo o grupo escoteiro aqui ao nosso lado. É uma alegria ouvir os exercícios às sextas, sábados e domingos.

Espero que esta casa mantenha sua tradição cultural pelos próximos 500 anos. Mesmo depois que eu não estiver mais aqui, espero que alguém cuide do acervo da FEB, dos móveis, dos documentos históricos. Porque um povo sem história é um povo sem memória. E um povo sem memória é um povo sem história.

São Vicente tem muita história — talvez a maior história desta nação. Eu dizia recentemente, em uma entrevista, que Porto Seguro é lembrado porque Cabral chegou lá, rezou uma missa e colocou uma cruz. Hoje é um polo turístico completo. São Vicente é infinitamente mais rica em história.

Temos que valorizar nossos exemplos, especialmente essa jovem Confraria que hoje comemora cinco anos. Espero estar aqui, se estiver vivo, na comemoração dos 50 anos.

Precisamos prestigiar os jovens. Neles reside a esperança de uma nação melhor. Não podemos apenas reclamar do que está errado; precisamos valorizar quem faz o bem. Esta casa pratica o bem. E todos que aqui atuam, voluntários ou não, se dedicam de corpo e alma para que o Instituto continue sendo uma referência não só para São Vicente, mas para todo o Brasil.

Hoje, o Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente é referência entre centenas de institutos históricos do país. Isso nos enche de orgulho. Somos, provavelmente, o maior: 8.500 metros quadrados de área verde e 4.000 metros quadrados de área construída. É muito acervo. Muita história. Muita coisa importante.”

Informativo: A transcrição da fala do Dr. Paulo Eduardo Costa, Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente (IHGSV), proferida durante a solenidade comemorativa aos cinco anos da Confraria Jovem. O texto foi organizado e passou por ajustes gramaticais, de pontuação e coesão, mantendo-se fiel ao conteúdo, à intenção e ao tom da manifestação oral, com o objetivo exclusivo de adequação à publicação institucional e jornalística.

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