1. As Raízes no Caos: A Juventude que Escolheu Reagir
O ano era 2020, e o mundo atravessava um dos períodos mais desafiadores de sua história recente. A pandemia de COVID-19 transformava hábitos, isolava famílias e impunha uma realidade de incerteza, medo e distanciamento.
As ruas antes cheias de vida tornaram-se silenciosas; escolas e universidades fecharam suas portas; praças e centros culturais, outrora repletos de jovens, permaneceram vazios. O confinamento trouxe à tona um inimigo invisível, não apenas no campo da saúde física, mas também no emocional.
A juventude foi um dos grupos mais afetados. Sem espaços de convivência e sem oportunidades presenciais de aprendizado e diálogo, muitos jovens mergulharam em um estado de apatia e solidão.
Mas foi nesse cenário adverso que começou a germinar uma semente de esperança.
Em 04 de maio de 2020, um grupo de jovens decidiu romper o silêncio do isolamento e criar um espaço de reconexão e propósito. A iniciativa, idealizada e articulada por Elias Júlio Ferreira, ganhou forma no ambiente virtual do WhatsApp, tornando-se um espaço de encontro e reflexão coletiva.
Assim nascia o Movimento Juventude Atuante, um projeto que emergia com a proposta de reacender o senso de pertencimento e responsabilidade social entre a juventude vicentina.
Junto a Vicenzo Pedroso, Lucas Gonçalves e Pedro Cavalcante, o grupo deu forma a uma proposta que, embora simples, carregava grande significado: reunir jovens para debater política, cidadania e comunidade sob uma perspectiva educativa e apartidária.
A troca de ideias, inicialmente tímida, rapidamente transformou-se em uma rede ativa de diálogo e cooperação. Ali, onde o mundo parecia suspenso, surgia um espaço de vitalidade intelectual e social.
O que começou como um grupo de conversas online evoluiu para uma experiência de formação cidadã, unindo pessoas que, mesmo fisicamente distantes, compartilhavam um ideal comum: compreender o momento histórico e agir coletivamente diante dele.
A pandemia isolou corpos, mas aquele movimento conectou propósitos.
As discussões se ampliaram, e temas como empatia, liderança e participação social tornaram-se recorrentes. Aos poucos, o Movimento Juventude Atuante deixava de ser apenas uma iniciativa de resistência emocional e se consolidava como um laboratório de ideias, um espaço de reconstrução moral e comunitária.
2. Do Virtual à Ação: O Comprometimento com a Comunidade
Ainda em 2020, com a gradual flexibilização do lockdown, no dia 15 de outubro, foi oficialmente fundado no Salão Nobre da Casa do Barão o então Movimento Juventude Atuante. O grupo, que havia nascido meses antes em ambiente virtual, consolidava agora sua presença física, marcando um novo momento de engajamento e representatividade juvenil em São Vicente. A fundação simbolizava a transição de um espaço de debate para uma plataforma de ação concreta, organizada e voltada à transformação social.
No ano seguinte, 2021, o Movimento deu um passo decisivo em direção à prática. Com a retomada gradual das atividades presenciais e o afrouxamento das medidas sanitárias, os integrantes passaram a atuar diretamente em ações de apoio comunitário. Em parceria com a Prefeitura Municipal de São Vicente, o grupo participou da logística de entrega de mantimentos, cestas básicas e insumos essenciais a famílias em situação de vulnerabilidade social, que ainda sentiam os efeitos da crise provocada pela pandemia. A iniciativa revelou um comprometimento genuíno com o bem coletivo, destacando a importância da juventude como força de trabalho solidária e consciente.
Ainda em 2021, o movimento ampliou seu campo de atuação com a campanha “O Livro Vai, mas a História Fica”, voltada à arrecadação e doação de livros a instituições e comunidades carentes. A proposta era democratizar o acesso à leitura, estimular o hábito do conhecimento e fortalecer a cultura local por meio da partilha de saberes. Essa ação demonstrou que o grupo não se limitava à mobilização social em momentos de emergência, mas também valorizava o desenvolvimento intelectual e cultural como instrumentos de transformação duradoura.
3. A Estruturação e as Alas de Formação
Com o crescimento natural do movimento, surgiram novas demandas e a necessidade de estrutura organizacional.
O Movimento Juventude Atuante, então, deu início à criação de alas temáticas, que permitiram ampliar a atuação em diferentes áreas sociais, culturais e educativas.
Essas alas foram pensadas como “secretarias juvenis”, espaços de experimentação, aprendizado e protagonismo.
Dentre elas, destacam-se:
• Secretaria das Mulheres, dedicada à promoção da igualdade de gênero, à defesa dos direitos femininos e ao combate à violência doméstica, inspirando jovens lideranças femininas a ocuparem seu espaço na sociedade;
• Secretaria do Meio Ambiente, responsável por promover ações ecológicas, campanhas de conscientização e projetos voltados à sustentabilidade e preservação ambiental;
• Secretaria da Educação, voltada à formação cívica e intelectual dos jovens, incentivando o pensamento crítico e a valorização do conhecimento como ferramenta de libertação;
• Secretaria de História e Cultura, criada para aproximar os jovens da memória e do patrimônio vicentino, despertando o interesse pela preservação das raízes culturais da cidade;
• Secretaria de Comunicação e Relações Institucionais, encarregada de fortalecer o diálogo entre o Movimento e outras entidades, instituições e movimentos da sociedade civil;
Além de outras frentes temáticas que nasceram de acordo com as necessidades e talentos dos próprios integrantes, sempre pautadas pela ética, pelo voluntariado e pela cooperação.
4. O Reconhecimento Institucional e o Nascimento da Confraria Jovem
O trabalho persistente e a maturidade alcançada pelo grupo chamaram a atenção de instituições de grande relevância.
Entre elas, o Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente (IHGSV) — a mais antiga instituição cultural da cidade, guardiã da memória vicentina e símbolo do compromisso com o conhecimento e a cidadania.
Reconhecendo o potencial transformador do movimento, o IHGSV passou a acompanhar e orientar formalmente suas ações. Essa aproximação culminou, em 2022, com uma reestruturação histórica: o Movimento Juventude Atuante deu lugar à Confraria Jovem, tornando-se oficialmente uma organização vinculada ao Instituto.
A nova fase foi selada sob a liderança e assinatura do Dr. Paulo Eduardo Costa, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente, que, por meio de portaria oficial, legitimou a criação da Confraria Jovem como projeto institucional do IHGSV.
Com isso, a Confraria passou a ter sede oficial nas dependências do Instituto, simbolizando a união entre a juventude e a história, entre o futuro e o passado que o inspira.
O termo “Confraria” foi escolhido com profundo significado. Representa a irmandade, o companheirismo, a solidariedade e a comunhão de propósitos que marcaram o início do movimento e que, até hoje, sustentam sua identidade.
A Confraria Jovem se tornou, assim, um espaço de formação, reflexão e ação, em que cada integrante é convidado a contribuir para o bem coletivo, fortalecendo valores éticos, culturais e humanos.
5. Missão, Valores e Legado
Desde sua institucionalização, a Confraria Jovem consolidou-se como um laboratório cívico voltado ao desenvolvimento integral da juventude.
Seu propósito é claro: formar cidadãos conscientes, líderes responsáveis e agentes de transformação, aptos a compreender os desafios do presente e a construir soluções para o futuro.
Os pilares que sustentam essa missão são:
1. A ética e a verdade como fundamentos da liderança;
2. O diálogo e o respeito como caminhos para a convivência democrática;
3. A solidariedade e o voluntariado como expressão máxima do amor ao próximo;
4. A valorização da história e da cultura como base do pertencimento social;
5. compromisso com a coletividade como essência da verdadeira cidadania.
A Confraria Jovem não é um grupo político, mas sim um movimento de formação e consciência social, comprometido com a construção de uma juventude participativa, reflexiva e ativa na transformação da sociedade.
Sua atuação vai muito além de eventos ou encontros — é uma filosofia de vida que inspira jovens a servirem com humildade, liderarem com empatia e agirem com propósito.
6. O Espírito que Permanece
Hoje, a Confraria Jovem se orgulha de ter formado uma rede de jovens engajados, unidos por uma causa maior: fazer o bem, aprender e evoluir juntos.
Sua história é marcada pela superação das adversidades, pela força da união e pela fé inabalável na capacidade da juventude de transformar o mundo ao seu redor.
O que começou como uma simples conversa em um aplicativo, em meio a um cenário de medo e isolamento, transformou-se em um movimento institucional, cultural e social de relevância histórica.
A Confraria Jovem é a prova viva de que a união constrói pontes, derruba muros e resgata o sentido da coletividade.
E assim, de 2020 em diante, a história da Confraria segue sendo escrita — com ações, projetos, amizades e sonhos compartilhados —, mantendo viva a chama que nasceu no silêncio da pandemia e hoje brilha no coração de cada jovem que escolhe fazer parte desse legado.
DEPOIMENTOS DE FUNDAÇÃO
Dr. Paulo Eduardo Costa
Confrade Diretor Presidente
Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente
"A Confraria Jovem representa a continuidade de um ideal coletivo nascido em meio às adversidades do tempo e às incertezas de uma geração que se recusou a ficar inerte. Mais do que um grupo, tornou-se um símbolo do diálogo entre tradição e modernidade, integrando jovens comprometidos com a preservação da história e o desenvolvimento de São Vicente. O Instituto Histórico e Geográfico, ao reconhecer a relevância do então Movimento Juventude Atuante, compreendeu que a juventude não deveria apenas ser ouvida, mas incorporada ao processo de construção da memória e das ações que moldam o futuro. Essa integração consolidou um marco institucional: o encontro entre experiência e renovação, saber e ação, passado e porvir. A Confraria Jovem é a síntese do passado e do futuro de São Vicente — o elo entre a história que preservamos e a juventude que renova nossas esperanças. A diretoria do Instituto, que há tempos percebia o envelhecimento natural de seus quadros, viu no então Movimento Juventude Atuante uma oportunidade de renovação e continuidade. Era necessário abrir espaço para que novas ideias florescessem e para que a juventude pudesse participar ativamente da preservação da nossa memória e da construção do nosso futuro. A presença desses jovens não apenas revitalizou o Instituto, como também resgatou o verdadeiro sentido da nossa missão: unir gerações em torno do conhecimento, da história e do compromisso com a cidade de São Vicente."
Elias Julio Ferreira
Diretor da Confraria Jovem
Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente
"A Confraria Jovem nasceu do encontro entre o sonho e a necessidade. Surgiu quando o silêncio das ruas nos fez ouvir o que realmente importava: o chamado da juventude para agir, pensar e transformar. Não foi apenas um projeto, mas uma resposta coletiva à urgência de construir pontes onde antes havia muros. Cada jovem que passou por este movimento carrega em si a força de quem compreende que protagonismo não é sobre estar à frente, mas sobre caminhar junto, dividindo responsabilidades, ideias e ideais. A Confraria é a prova de que a união é o maior instrumento de mudança, e que o poder da juventude está em fazer com propósito e consciência. Quando entendemos o passado, somos capazes de trabalhar com sabedoria no presente — e só assim podemos construir um futuro verdadeiramente melhor."
Vicenzo Pedroso
Vice-Diretor da Confraria Jovem
Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente
"Sonhar sempre foi o primeiro passo de toda grande conquista. Quando a Confraria Jovem começou, o que tínhamos era apenas isso — um sonho compartilhado, nascido entre conversas, incertezas e esperanças. Sonhar, porém, nunca foi o bastante; era preciso transformar o sonho em ação, e foi isso que fizemos, unidos por um propósito comum. A Confraria representa o poder de acreditar mesmo quando tudo parece distante, de enxergar além das dificuldades e de manter a fé naquilo que ainda não existe, mas pode ser construído. Sonhar é o que nos move, mas realizar é o que nos define. Porque todo grande futuro começa com a coragem de um grupo de jovens que se permitiu sonhar juntos."
PATRONOS IN MEMORIAM DA CONFRARIA JOVEM
imagem gerada por inteligência artificial
nascido em 2 de agosto de 1973 e falecido em 11 de junho de 2024.
Luciano Simões foi um cidadão exemplar, cuja trajetória se destacou pelo compromisso com a comunidade e pela busca incansável de soluções para os desafios cotidianos da cidade de São Vicente.
Homem de atitude, acreditava que o verdadeiro amor à cidade se expressa por meio da ação — e foi exatamente isso que ele fez.
Entre suas contribuições marcantes, está a solicitação e defesa da implantação da ciclofaixa que liga a Praia do Gonzaguinha ao Itararé, iniciativa que o tornou conhecido e carinhosamente apelidado de “Luciano Simões – O Provocador”, por sua postura ativa e determinada em provocar melhorias e despertar a consciência cidadã.
Profissionalmente, Luciano era Guia de Turismo, reconhecido por seu carisma, alegria e profundo conhecimento sobre a história e os encantos de São Vicente.
Em sua jornada, apoiou a Confraria Jovem em diversos momentos e projetos, destacando-se em atividades como o Walking Tour da Juventude e o Festival Indígena, sempre com entusiasmo e disposição para contribuir.
Homem de coração solidário e espírito voluntário, Luciano foi presença constante nas ações do movimento, tornando-se um verdadeiro parceiro da juventude vicentina.
Com humildade, ele doava seu tempo e energia para causas que promoviam o bem comum, inspirando todos à sua volta com seu exemplo de humanidade e generosidade.
Luciano Simões nos deixou em 11 de junho de 2024, mas sua memória permanece viva na cidade e no coração daqueles que o conheceram.
Seu nome é eternizado como Patrono Eterno da Confraria Jovem, símbolo de amor ao próximo, engajamento social e compromisso com o futuro da juventude.
imagem gerada por inteligência artificial
Salma Pereira do Nascimento
nascida em 10 de dezembro de 1968 e falecida em 22 de outubro de 2023.
Salma Pereira do Nascimento foi, em vida, um verdadeiro símbolo de voluntariado e amor ao próximo.
Membro atuante da Organização Mãos que Ajudam, de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, dedicou anos de sua trajetória ao serviço comunitário, realizando ações de apoio aos mais necessitados com humildade, fé e sensibilidade humana.
Para além dessa organização, Salma estendeu suas mãos e seu coração a diversas causas sociais, sempre com o olhar voltado àqueles que mais precisavam. Sua presença era sinônimo de conforto, sua palavra, de incentivo, e seu gesto, de bondade.
Mãe do fundador Elias Julio Ferreira, Salma teve participação fundamental na fundação e nos primeiros passos da Confraria Jovem, oferecendo aquele apoio incondicional e inspirador que só uma mãe é capaz de dar.
Com seu amor e dedicação, ajudou a construir pontes, fortalecer sonhos e transformar ideias em ações concretas em prol da juventude vicentina.
Em reconhecimento a essa trajetória exemplar, Salma recebeu, em 2023, o título de Mulher do Ano pelo Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente,
honraria concedida por seus relevantes serviços à comunidade e seu compromisso com o desenvolvimento humano e social da cidade.
Salma nos deixou em 22 de outubro de 2023, mas seu legado permanece vivo em cada jovem que acredita no poder do bem e na força da solidariedade.
Seu nome ecoa como Patrona Eterna da Confraria Jovem,
símbolo de amor, fé e serviço voluntário que continuará a inspirar gerações.





