"Senhoras e senhores, autoridades presentes, lideranças comunitárias, representantes dos movimentos sociais, amigos da Região Metropolitana da Baixada Santista e, sobretudo, vocês: a juventude,
Boa tarde.
Hoje, antes de qualquer palavra, precisamos lembrar onde estamos.
Estamos na primeira cidade do Brasil.
São Vicente não é apenas um território antigo — é o marco zero da organização pública, do espírito coletivo, do debate democrático e das primeiras decisões que moldaram o futuro do país.
Foi aqui que tudo começou.
Foi aqui que o Brasil aprendeu, pela primeira vez, o que é governar, cuidar e construir futuro através da gestão pública.
E é justamente por isso que cada gesto feito nesta cidade importa.
Neste território, quando um jovem se levanta, ele não levanta só por si: ele se ergue carregando quase quinhentos anos de história.
A Confraria Jovem nasce assim: como um movimento que acredita que cada jovem é uma chama capaz de iluminar muito mais do que imagina. E quando essas chamas se encontram, não nasce apenas um grupo — nasce uma caminhada. Uma caminhada de coragem, de cidadania, de propósito e de sonhos que se cruzam para transformar realidades.
É com esse respeito ao passado e responsabilidade com o futuro que celebramos mais um aniversário da Confraria Jovem. São cinco anos de fundação!
E, por isso, hoje não falamos apenas de planos.
Falamos de entregas reais.
Realizamos o Primeiro e o Segundo Festival Indígena de São Vicente, ambos sem nenhum recurso externo — apenas com articulação, inteligência técnica, estratégia e respeito à cultura.
Realizamos o Primeiro Festival da Juventude, reunindo talentos, movimentos, coletivos, esporte, cultura e empreendedorismo, ocupando a Praia do Itararé com energia e protagonismo.
Promovemos a Semana da Juventude de 2024, fortalecendo escolas, praças, espaços culturais e instituições.
Criamos o Walking Tour da Juventude, reconectando jovens à história, devolvendo identidade ao território e formando consciência cidadã.
Realizamos ações sociais e humanitárias, distribuindo solidariedade, acolhimento e cuidado.
Estivemos nas escolas, nos coletivos, nas entidades, ouvindo, orientando, dialogando, formando liderança e construindo cidadania.
Abrimos a Casa do Barão para a juventude — e esse espaço histórico voltou a pulsar com a força da nova geração.
E estruturamos o Coletivo União Luz & Cor, entidade permanente, regional na defesa da diversidade, da dignidade e do respeito.
Essas são apenas algumas entregas
São entregas reais.
São fatos.
São provas de que, mesmo sem recursos, a juventude transforma quando é organizada, quando é respeitada e quando acredita no próprio poder.
Nesta caminhada, surge também um sonho coletivo: o sonho de ver São Vicente e a Baixada Santista abraçar definitivamente sua juventude como protagonista.
Não é sobre ocupar um cargo — é sobre assumir um compromisso com a cidade e a região.
É sobre coordenar ações, unir pessoas, construir pontes, fortalecer projetos, ouvir vozes que foram silenciadas e abrir caminhos para que cada jovem tenha espaço, dignidade e possibilidades.
Com todo o respeito às autoridades presentes, quero lhes questionar algo que vem verdadeiramente do coração:
Vocês acreditam profundamente na juventude?
Pois eu acredito no nosso potencial de transformar o País — desde que sejamos tratados como prioridade, e não como figurante.
Pois nestes oito anos de caminhada, aprendi que políticas públicas de juventude não se constroem com teoria.
Elas se constroem com escuta, presença, diálogo, responsabilidade e prática.
Por isso, me coloco hoje à disposição da cidade para contribuir ainda mais.
Se a gestão municipal entender que é chegada a hora de fortalecer a Supervisão da Juventude, esta cidade já possui jovens preparados, capacitados e em plena atuação. Estou entre eles, e me coloco à disposição e estou preparado para fortalecer a gestão de juventude — uma área que precisa ser forte, dedicada, organizada, estratégica e presente.
São Vicente merece isso.
A juventude merece isso.
E eu acredito profundamente nesse caminho.
Ser Diretor desta instituição, ou mesmo assumir uma Supervisão Municipal, não é sobre ocupar uma cadeira.
É sobre abrir portas.
Assim como abrimos a Casa do Barão para a juventude, precisamos abrir a Gestão Pública para a juventude.
Precisamos transformar a Administração Pública em um espaço vivo, acessível, acolhedor, onde qualquer jovem possa entrar e sentir: “Este lugar também é meu.”
Hoje, porém, existe uma emoção ainda maior.
A Confraria Jovem presta uma homenagem que atravessa minha vida, minha história e minha alma.
Minha mãe, Salma Pereira do Nascimento, que partiu em 2023, está sendo reconhecida como Patrona in Memoriam da Confraria Jovem.
E isso não é apenas um título.
É um abraço no tempo.
É a confirmação de que o amor dela, o voluntariado dela, a força dela e a luz que ela espalhou nesta cidade continuam vivos em cada ação que realizamos.
Mesmo ausente fisicamente, minha mãe continua presente como guia, como inspiração e como raiz de tudo o que construímos.
Agradeço, de coração, a cada pessoa que acreditou nesse reconhecimento.
Vocês homenageiam não só a minha mãe, mas todas as mães que moldam seus filhos para o caminho do bem.
E também é impossível seguir sem lembrar da homenagem ao grande parceiro fundamental na nossa trajetória: Luciano Simões.
Um homem que acreditou no nosso trabalho desde o início e que se tornou parte da família Confraria.
Luciano não apenas caminhava ao lado — ele iluminava o caminho.
Agradeço à família dele, presente aqui hoje, por permitir que sua luz continue nos guiando.
Saibam: ele continuará sendo uma luz firme, honesta e necessária na nossa caminhada.
E é assim, com a memória da minha mãe guiando cada passo e com parceiros como Luciano fortalecendo nossa jornada, que reafirmamos nosso compromisso de servir à juventude da Baixada Santista com responsabilidade, seriedade e alma.
E agora quero compartilhar uma honra que jamais esquecerei.
A sociedade me concedeu o título de Jovem Atuante, um reconhecimento que carrego com imenso orgulho e responsabilidade.
Mas um título só tem sentido quando se multiplica.
E por isso, como Diretor desta instituição — e com a aprovação dos membros da Confraria — hoje decidimos passar esse título para outros jovens que estão construindo, com as próprias mãos, a história de nossa região.
Porque ser Jovem Atuante não é um prêmio: é uma missão. É um chamado para servir, para inspirar, para agir. E nada é mais belo do que transformar esse reconhecimento em legado.
Carregar esse título significa carregar responsabilidade, representar centenas de vozes e abrir caminhos para que outros jovens também encontrem sua força.
Significa mostrar que é possível construir políticas públicas sérias, honestas, responsáveis e realmente voltadas para a população.
Significa provar que, quando a juventude participa, a cidade muda.
E muda para melhor.
A Confraria Jovem não é apenas um movimento:
é um legado.
é um chamado.
É um convite para que cada jovem deste País descubra que tem valor, potência e lugar no mundo.
Hoje celebramos a Confraria.
Mas celebramos, acima de tudo, a certeza de que a juventude tem força, voz e coragem para escrever os próximos capítulos da história de São Vicente, da Baixada Santista, do nosso Estado e nosso Brasil.
Vida longa à Confraria Jovem.
Vida longa à Juventude da Baixada Santista
E vida longa ao Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente
Muito obrigado".
Informativo: A transcrição da fala de Elias Ferreira, Diretor da Confraria Jovem, realizada durante a solenidade comemorativa aos cinco anos da entidade. O texto foi organizado e passou por ajustes gramaticais, de pontuação e fluidez, preservando integralmente o conteúdo, o tom e a intenção da manifestação oral, com finalidade exclusiva de adequação à publicação institucional e jornalística.