Se essa fala te incomoda, talvez valha a pena refletir sobre por que. Se ela te inspira, então junte-se a mim. Porque só com união, respeito e coragem a gente vai avançar de verdade.
Vivemos tempos em que ser jovem e LGBTQIA+ em posição de destaque ainda incomoda muita gente. E o que mais choca não é apenas que existam pessoas contra nossa visibilidade — mas que, muitas vezes, esse incômodo vem de dentro da própria comunidade.
Durante a 3ª Parada do Orgulho LGBTI+ de Arujá, quando peguei o microfone e disse: “Muitos não querem que eu esteja aqui, mas estou aqui representando a juventude, a minha cidade e a diversidade.” Eu sabia exatamente o peso dessas palavras.
Elas não eram um desabafo passageiro — eram uma resposta firme a um cenário real: o de jovens LGBTQIA+ sendo barrados, atacados e desacreditados não só por forças externas, mas também por outros que deveriam estar do mesmo lado da luta.
Embora eu siga enfrentando perseguições e tentativas de silenciamento, continuo escolhendo falar. Continuo subindo nos palcos, olhando no olho das pessoas e dizendo: a juventude LGBTQIA+ precisa ocupar os lugares que lhe pertencem por direito.
O que mais me constrange — e, sim, me entristece — é ver que parte das barreiras que enfrentamos são construídas por mãos que se dizem militantes. Pessoas que falam em diversidade, mas não suportam ver outros ganharem espaço. Pessoas que pedem representatividade, mas só aceitam quando ela se encaixa no que elas mesmas controlam.
O movimento LGBTQIA+ precisa entender que visibilidade alheia não é ameaça — é soma. A luta não se sustenta em rivalidade, ego e sabotagem. Se a nossa causa é por respeito, liberdade e inclusão, ela deve começar por dentro, com honestidade, apoio mútuo e maturidade política.
Quando um jovem LGBTQIA+ decide se posicionar publicamente, é um ato de coragem. E quando ele sofre boicotes, falsas acusações e manipulações internas, a mensagem que se passa aos demais é clara: “Você só será bem-vindo se não incomodar.” Isso precisa mudar.
Eu sigo firme porque não falo apenas por mim. Falo por quem nunca teve espaço. Falo por quem foi ignorado, calado, deixado de lado. Falo por quem quer existir com dignidade, mas se vê excluído até mesmo pelos seus.
> Enquanto houver jovens sendo silenciados, eu vou continuar falando.
Mas também falo para pedir algo urgente: união.
A comunidade LGBTQIA+ precisa parar de construir muros internos. Precisamos entender que é possível — e necessário — divergir sem destruir, criticar sem perseguir, dialogar sem deslegitimar. Precisamos criar pontes, não disputas.
A nossa luta é contra a LGBTfobia, contra a exclusão, contra os discursos de ódio. Não pode ser contra quem está ao nosso lado na trincheira.
Quando eu subo num palco ou sou chamado para representar algo maior do que eu, carrego comigo não apenas minha história, mas o reflexo de muitos. Ser Mister São Vicente 2025 é uma honra, mas também uma responsabilidade. E essa responsabilidade inclui não me calar — mesmo quando seria mais fácil.
Eu poderia escolher o silêncio. Mas o silêncio não muda nada.
A fala, sim. A fala inspira. A fala denuncia. A fala constrói.
E é por isso que eu sigo falando.
Porque a juventude LGBTQIA+ merece ocupar espaços com orgulho, consciência e apoio real — inclusive e principalmente dentro da própria comunidade.
Artigo de opinião | Por Elias Ferreira, Mister São Vicente 2025
Entre Cores e Tradições